Entenda como a Instrução Técnica IT-10 do Corpo de Bombeiros regula materiais inflamáveis em edificações, o que é a NBR 9442 e como obter um laudo CMAR válido.
A Instrução Técnica IT-10 estabelece os requisitos de segurança contra incêndio para o controle de materiais de acabamento e revestimento nas edificações, e é uma das normas mais exigidas em vistorias do Corpo de Bombeiros. Seu objetivo é reduzir o risco de propagação de chamas, a produção de fumaça tóxica e a perda de rotas de fuga causadas por materiais inflamáveis em edificações — forros, pisos, paredes, cortinas, mobiliário e fachadas.
Na prática, a inspeção IT-10 verifica se cada material aplicado na edificação possui classificação de reação ao fogo compatível com o uso previsto para cada ambiente, conforme a classe da ocupação (A-1, A-3, B-1, F-6, I-2, entre outros).
CMAR é a sigla para Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento. O laudo CMAR é o documento técnico, emitido por profissional legalmente habilitado ou por laboratório acreditado, que comprova o desempenho de reação ao fogo de um material — com base em ensaios normalizados como a NBR 9442 (método de ensaio para determinar o índice de propagação superficial de chamas em materiais construtivos).
O laudo CMAR apresenta, em geral, o índice de propagação de chamas (Ip) e a densidade óptica de fumaça (Dm), que determinam a classe do material conforme a Tabela A da IT-10. Sem esse laudo, o material não pode ser considerado conforme na vistoria — mesmo que visualmente pareça seguro.
A ABNT NBR 9442 define o método de ensaio de propagação superficial de chamas: um painel do material é submetido a uma chama padronizada e são medidos o tempo de propagação, o dano causado e a fumaça gerada. Os resultados alimentam a tabela de materiais inflamáveis em edificações da IT-10 e definem se o material recebe Classe I, II, III, IV, V ou VI.
Quanto menor a classe, menor a contribuição do material para o crescimento e a propagação do incêndio. Saídas de emergência, rotas de fuga e ambientes com grande carga de ocupação exigem classes mais rigorosas.
| Classe | Característica do material | Risco típico |
|---|---|---|
| Classe I | Materiais incombustíveis (aço, concreto, alvenaria, vidro temperado). | Mínimo |
| Classe II-A | Materiais com pequena contribuição de propagação de chamas — exigidos em saídas de emergência (Dm ≤ 100). | Baixo |
| Classe II-B | Contribuição limitada de propagação de chamas e fumaça. | Baixo |
| Classe III-A | Materiais com propagação moderada, comuns em acabamentos interiores tratados. | Moderado |
| Classe III-B | Propagação moderada com maior densidade óptica de fumaça. | Moderado |
| Classe IV-A | Contribuição significativa de propagação — exige atenção em áreas de maior risco. | Alto |
| Classe IV-B | Alta propagação de chamas e fumaça, aceito apenas em usos restritos. | Alto |
| Classe V-A / V-B | Materiais com elevada contribuição de incêndio; uso muito restrito pela IT-10. | Crítico |
| Classe VI | Materiais sem controle de reação ao fogo — não permitidos como acabamento em áreas de fuga. | Crítico |
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